bienal do PORTO SANTO - 4 a 31 de agosto

 

Identidade
Tema da Bienal do Porto Santo 2007

 

A temática da identidade atravessa o percurso da humanidade, desde a pré-história até à era da «globalização». A ideia leva-nos logo à questão secular do saber o que é o ser humano, a sua essência, o que o define, o que dá acesso a uma diversidade de perspectivas cuja riqueza nos abre muitas portas para a reflexão e para a criação.

Partindo dos primeiros seres humanos, podemos interrogar-nos sobre o que os distingue dos outros seres vivos e dos animais, o que determina a sua especificidade. Será que o ser humano só se distingue pelo facto de ser um ser consciente ou será mais porque é um ser espiritual, profundamente ligado ao sagrado?

É também um ser social e político. A pertença a uma sociedade, a um grupo específico contribui para a constituição duma identidade colectiva e individual. Em que é que um sistema político, com as suas leis e instituições, assim como a própria definição política do individuo e o seu reconhecimento como tal, perante a colectividade, poderão contribuir à constituição da(s) identidade(s) ou, doutra forma, reprimí-las? Neste contexto, a identidade étnica ou a identidade nacional poderão ter um papel importante.

A identidade cultural é outro ponto fulcral. A cultura constitui um factor essencial para a construção da identidade colectiva de cada um, manifestando-se em referências e costumes e na criação de raizes. Além da sua pertença cultural ou nacional, o individuo tem características muito próprias que o constituem, tal como a sua história interior e exterior, que o indentificam e o distiguem dos outros, fazendo dele um ser único.

Assim, a questão da identidade abrange um leque muito largo, indo de uma concepção mais universal a uma concepção particular. Neste leque cruzam-se muitos tópicos, como a identidade sexual, a identidade geográfica, a genética, a naturalidade, a questão da memória...

A riqueza destas perspectivas complementares, intimamente ligadas ao ser humano através dos tempos e dos lugares, oferece-nos uma temática que só pode levar os artistas a interrogações profundas e ricas de polémica que despertam a sua criatividade artística.

Este assunto é um facto actual. Vivemos uma época charneira na qual a questão da identidade é central e problemática. Enquanto só se fala em globalização, que já se tornou um cliché e um lugar comum, podemos de facto interrogar-nos sobre o significado da Identidade (colectiva e individual).

No sistema globalizante onde vivemos actualmente, a identidade individual parece ser ignorada, o indivíduo perdido no anonimato é um ser banalizado e absorvido pelo sistema. Será que é mais do que um consumidor, um trabalhador, um espectador, um cidadão, um simples reflexo do que os media lhe propõem ser, ou um ser fictício vivendo num mundo onde a imagem e o virtual dominam? Como podemos ser nós próprios?

De maneira contraditória, tem os hoje em dia acesso a uma grande diversidade cultural e, no entanto, a noção de identidade e de cultura parecem cada vez mais empobrecidas. Uma cultura global pode-se tornar única e esvaziada de conteúdo. Estamos de facto perante uma anulação identitária.

Assim, o tema da Identidade para uma Bienal é uma escolha centrada em preocupações actuais que lança um desafio: o de interrogar, de (re)definir ou (re)interpretar este conceito através da prática artística, podendo assim manifestar a sua riqueza, a sua ambiguidade... e abrir caminhos.

 

Topo